Orquestra de flautas

foto: Fabiano Godoy / Revista Villa Marianna

Texto: Dr. Moacyr P. Rigueiro – matéria publicada, em 2011, na Revista Villa Marianna nº30.

Saiba mais sobre os órgãos de tubos e conheça dois exemplares que estão na Vila Mariana, um Brinkley, único nas Américas, que fica na Igreja Santo Inácio de Loiola, e um Kilgen, que está na Fapcom

Você sabia que na Vila Mariana existem dois órgãos de tubos? Há muitos órgãos em São Paulo, a maioria mudos, apodrecendo, ou comidos por cupins. Verdadeira lástima para um povo que não se interessa em conservar seu rico patrimônio artístico.

foto: Fabiano Godoy / Revista Villa Marianna

Os teclados, os botões e as pedaleiras do Brinkley. foto: Fabiano Godoy / Revista Villa Marianna

A Paróquia Santo Inácio, na rua França Pinto, 115, possui um desses tesouros. Adquirido em 1992, de uma igreja em Niterói, o órgão foi totalmente restaurado e montado no coro sobre o pórtico de entrada da igreja.

É um órgão inglês, do prestigiado construtor Brinkley, que produziu muitos instrumentos de qualidade, sendo que a maioria está na Inglaterra. Este órgão foi construído em 1925 e exportado para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1992. É o único exemplar de um órgão desse fabricante nas Américas.

O órgão é o principal instrumento litúrgico da Igreja Católica. Funciona como se fosse uma orquestra de flautas, onde cada tubo é uma flauta. O ar, gerado por um potente soprador, enche reservatórios de madeira perfurada, sobre os quais estão apoiados os tubos. Cada fila de tubos recebe o nome de Registro e tem um timbre peculiar, que depende do formato do tubo, da liga do metal ou da madeira que é feito. Aberto o registro, por meio de um botão, ao acionar a nota musical no teclado, uma válvula se abre sob o tubo e o faz soar. Fechado o registro, fecha-se a passagem do ar e não se produz o som.

foto: Fabiano Godoy / Revista Villa Marianna

Os tubos do órgão Brinkley da Santo Inácio. foto: Fabiano Godoy / Revista Villa Marianna

O organista comanda tudo do console, que é a parte onde estão os teclados e os botões dos registros. Quanto maior o tubo, mais grave o som que produz. Quanto menor, mais agudo. Neste órgão, o som mais grave é produzido por um tubo fechado de quase três metros de altura e o mais agudo por um tubinho menor que uma caneta. Possui dois teclados manuais e um para o pedal, que é tocado com os pés. Ao todo são 719 tubos, distribuídos em 13 filas diferentes, 13 registros, que podem soar em centenas de combinações.

O órgão foi consagrado no dia 06 de junho de 1993 e desde então vem sendo usado nas celebrações, casamentos e concertos. Graças à manutenção e afinações mensais feitas pelo organeiro João Palmyro de Souza e patrocinadas pelos padres da Pia Sociedade de São Paulo, Paulinos.

foto: Fabiano Godoy / Revista Villa Marianna

No cenário da Santa Inácio o órgão se impõe pelo som e por sua beleza. foto: Fabiano Godoy / Revista Villa Marianna

O órgão da Fapcom

Construído em 1924, pela renomada firma americana Kilgen, o mesmo construtor do famoso grande órgão da Catedral de Saint Patrick, em Nova Iorque, também é um instrumento pequeno. Kilgen produziu muitos órgãos para igrejas e pequenas residências. Este estava em uma residência perto de Campinas. Foi adquirido em 1998, pela Pia Sociedade de São Paulo e instalado na capela do Semiário Paulino, na Rodovia Raposo Tavares. Com a construção da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, foi trazido para a Vila Mariana e instalado no Auditório. Possui apenas quatro registros reais, distribuídos em 21 registros “virtuais”, entre dois manuais e pedaleira. Usado também em concertos este órgão tem contribuído para a formação de novos organistas, por meio de cursos generosamente patrocinados pela Paulus e Fapcom . Não deixa de ser uma bela maneira de evangelizar um mundo tão carente de coisas boas, belas e verdadeiras.

Aos domingos, o órgão acompanha os cantos da missa vespertina, às 18hs, e encanta os fiéis que também podem ouvir, na interpretação do organista Ricardo Pastori, peças célebres dos mais famosos compositores: J.S. Bach, César Frank, Boëllmann e outros gênios que também se encantaram com o “rei dos instrumentos”.