Divina Jerusalém!

Divina Jerusalém!
Divina Jerusalém!

Viaje pela Cidade Sagrada para as três grandes religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.

É uma sensação estranha e ao mesmo tempo emocionante. Ainda que você nunca tenha estado aqui, é como se conhecesse as pedras, as paisagens, os sons e, antes de chegar, até mesmo as placas da estrada que anunciam que você vai em direção à cidade: “Jerusalém…”

É que muitas vezes você esteve aqui em filmes, relatos, matérias de jornais e revistas.  Você esteve aqui nas rezas e prédicas de algum sacerdote. Seja você religioso ou não.

Sagrada para as três grandes religiões monoteístas – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – Jerusalém, capital desse pequeno e notável país, Israel, fundado em 1948, tem três mil anos de história. Em cada passo, você encontra ou reencontra religiosidade, guerra, destruições, cultura, reis e profetas.

A Cidade de Davi tem sítios arqueológicos, religiosos e históricos; delicias gastronômicas, museus, muralhas, fortalezas otomanas, arcos romanos, fossos bizantinos e uma incrível diversidade de povos e religiões.

Há judeus ortodoxos, judeus conservativos, judeus liberais, judeus ateus e até judeus em Cristo. Há judeus brancos e negros (vindos principalmente da Etiópia).  Judeus asquenazitas (de origem europeia) e sefaraditas (de origem árabe e ao mesmo tempo portuguesa e espanhola)! Há árabes religiosos e laicos. Árabes muçulmanos. Árabes cristãos. Há drusos. Há palestinos. Existem os cristãos ortodoxos, os coptas, os evangélicos, os protestantes.  Há milhares e milhares de turistas, como você, que percorrem a cidade em busca do encontro com o Sagrado, de história e arqueologia e de lembrancinhas para levar para parentes, amigos ou para si mesmos. Muitas vezes, tudo isso se mescla e sobrepõe, já que o ser humano, felizmente, pode ter várias identidades ao mesmo tempo.
Jerusalém2
Há muitas maneiras de começar a conhecer Jerusalém. Você pode simplesmente andar pela Cidade Velha e se deixar levar pelas cores, aromas, sabores e sons de vendedores árabes oferecendo seus produtos ou de peregrinos entoando cantos e rezas pelas suas ruelas, especialmente na Via Dolorosa, com suas 14 estações que marcam a condenação, flagelo, crucificação e túmulo de Cristo. No meio dos caminhos, você pode também entrar nas igrejas e sinagogas e se deixar tocar pela emoção das pessoas, que muitas vezes sonharam a vida inteira em estar naquele local.

Pode também ir direto ao Muro Ocidental, mais conhecido como Muro das Lamentações, último remanescente das muralhas construídas por Herodes e que serviam de sustentação do Templo de Salomão, destruído por invasores e que marcou o início da Diáspora judaica, em 70 D.C.

Ao contrário dos cristãos e muçulmanos, que dispõem de grandes e muitas vezes suntuosos templos, o local mais sagrado de oração para os judeus é o “pequeno” muro de apenas 20 metros de altura por 27 de comprimento. É aí que os israelitas rezam, choram, dançam, cantam e celebram o bar-mitzvá (maioridade religiosa, aos 13 anos).  Se possível, esteja no local ao pôr-do-sol nas sextas-feiras, quando os judeus ortodoxos celebram o Shabat, o dia sagrado e do descanso. O lugar se torna uma verdadeira sinagoga a céu aberto, com ainda mais rezas, cantos e danças. Shabat é também o dia do regozijo.

Muitos começam o passeio por Jerusalém diretamente na Basílica do Santo Sepulcro, no alto do Monte Calvário (o bíblico Gólgota) construído no local onde, de acordo com a tradição cristã, Jesus teria sido crucificado, enterrado e ressuscitado no terceiro dia). Em seu Interior estão o Calvário (onde ocorreu a crucificação), o Sepulcro (onde Cristo foi sepultado) e a Pedra da Unção.

O Santo Sepulcro foi erguido no século 4 por Santa Helena, mãe do imperador Constantino. Depois disso, já passou por diversas destruições e reconstruções.

Hoje, sete igrejas cristãs são responsáveis por sua administração: as ortodoxas armênia, grega, síria e russa, copta egípcia, etíope e católica romana. Como quase tudo em Israel não há consenso sobre os acontecimentos. Se para os católicos o Santo Sepulcro é ontem Jesus Cristo foi crucificado e enterrado, para os evangélicos, o local do sepultamento é o túmulo do jardim, do lado de fora das muralhas da cidade.

Já para os muçulmanos, fundamental é a Esplanada das Mesquitas, o bíblico Monte Moriah. O lugar é belíssimo: é onde estão a mesquita Al Aqsa, terceiro local mais sagrado do mundo para os muçulmanos (depois de Meca e Medina, ambas na Arábia Saudita), da qual o profeta Maomé teria subido ao céu em um cavalo alado; e o Domo da Rocha – a Mesquita de Omar – com cúpula dourada de 80kg de ouro 24 quilates, na parte externa. Como em sua religião é proibida a representação de figuras humanas, os muçulmanos se especializaram nos maravilhosos arabescos dos azulejos persas.

A Esplanada é sagrada também para os judeus, já que seria neste local que o Rei Salomão construiu o Templo e, antes disso, foi onde Abraão, o Patriarca das três religiões, teria sido chamado por Deus para sacrificar seu próprio filho (Isaac para judeus e cristãos e Ismael para os muçulmanos).

As pessoas que não professam a fé islâmica podem entrar na esplanada apenas por um portão especial, após uma revista. Atualmente, somente os muçulmanos podem ingressar no interior das mesquitas.

Na opinião deste repórter, o melhor modo de se iniciar o passeio à cidade é no Monte das Oliveiras, por onde Jesus teria entrado em Jerusalém.  Com a ajuda de um bom guia, você pode ver toda a cidade e entender melhor que ela é dividida entre a Cidade Velha e a Cidade Nova. E ainda perceber que a Cidade Velha é separada em quatro bairros: Judaico, Cristão, Muçulmano e Armênio.

Dali você pode também avistar os principais pontos religiosos da cidade, como a Igreja Russa Ortodoxa de Maria Madalena e a Igreja das Nações, também conhecida como Basílica da Agonia, no meio do Jardim Getsemani, para onde Jesus teria ido após a Última Ceia.

Depois, para ultrapassar os imponentes muros e ingressar na Cidade Velha, há oito portões. Os dois mais importantes – de Jaffa e Damasco – levam aos quatro bairros citados.

Qualquer que seja o modo de entrar na cidade, será sempre um maravilhoso e inesquecível passeio por milênios de história, dores, amores e religiosidade. Jerusalém estará para sempre dentro de você.

Lugares também obrigatórios em Jerusalém

*Não deixe de reservar um bom período para passear pela parte “nova” de Jerusalém. Conheça a moderna e refinada rua Mamilla – espécie de corredor que une o antigo e o moderno – shopping a céu aberto, com lojas de grife, músicos tocando, esculturas e bons bares e restaurantes. Passeiam e fazem compras no local ortodoxos, famílias árabes,  judeus israelenses de todas as origens e muitos turistas. Vá também, especialmente à noite, à região da rua Ben Yehuda, onde há calçadões repletos de bares, lanchonetes, cafés, restaurantes e personagens inusitados.

*É imperdível visitar o Museu de Israel, com impactantes peças arqueológicas, a arte do povo israelense e do povo judeu ao longo dos milênios, o Santuário do Livro, onde estão os Manuscritos do Mar Morto; e a impressionante Maquete da Antiga Jerusalém, que é permanentemente atualizada, com as novas descobertas arqueológicas.

*Não dá para deixar a cidade sem conhecer o triste, mas fundamental Yad Vashen, o Museu do Holocausto, que lembra o Extermínio dos seis milhões de judeus pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial e ainda a morte de milhões de pessoas de outros povos, religiões e nações.  Localizado no Monte Herzl, o local tem diversas salas e memoriais. Tudo é impactante. A Sala da Memória lembra as seis milhões de vítimas judias. Em seu interior está a “Chama Eterna”. No Memorial das Crianças, são lembradas as cerca de 1,5 milhões de crianças judias mortas no Holocausto.  Com um jogo de espelhos, uma única luz de vela se transforma em milhares de velas em memórias das crianças. Enquanto anda, você ouve os nomes das crianças, assim como a idade e origem de cada uma delas.   Na “Avenida dos Justos das Nações do Mundo”, há árvores plantadas em homenagem aos não-judeus que arriscaram suas vidas para salvar outras vidas, mostrando que existe, sim a opção, humana, de se lutar pelo que é certo, sem deixar que a omissão e o mal prevaleçam. Também comovente é entrar no “Santuário dos Nomes”. Logo que cada judeu chegava a um dos campos de extermínio, os nazistas retiravam seu nome (e assim a sua identidade) e tatuavam um número. O belo projeto visa resgatar o nome de cada pessoa.

*O Museu da Torre de Davi, situado próximo ao portão de Jaffa, é outro passeio fundamental. Você irá conhecer e se emocionar com os três mil anos de história da Cidade Sagrada.

*À noite, quando as muralhas se tornam ainda mais mágicas, há um lindo espetáculo de Luzes e Som na Torre de Davi, que também conta a história de Jerusalém.

*Outra das dicas imperdíveis é conhecer Jerusalém pelo alto das muralhas –  caminhos que geralmente eram percorridos pelos guardas.

Para comer:

Não deixe de ir ao Abu Shukri, na Cidade Velha, próxima à 5ª. Estação da Cruz,  na Via Dolorosa. O local é simples mas, com o perdão da palavra, divino. Escolha o prato típico: Homus (uma pasta de grão-de-bico amassado com tahine, azeite e suco de limão) com Pita (pão árabe quentinho) e o Falafel (sanduíche ou no prato, com bolinhos de grão-de-bico frito, com diversos condimentos, geralmente acompanhados por homus, tahine, alface, pepino e cebola)

Também não deixe de ir ao Armenian Tavern. no bairro Armênio. O local é lindo, parece um mix de templo e antiquário, e a comida simplesmente espetacular.

Onde se Hospedar:

Mamilla Hotel:  11 King Salomon St
http://www.mamillahotel.com/
Arthur Hotel – Dorot Rishonim St. 13

Texto: Airton Gontow
Fotos: Maria Pereira Gontow

“Os repórteres viajaram com o apoio do Ministério de Turismo de Israel”