Vou pra Porto e Báh! Tri Legal…

O Palácio Piratini é a sede do peder executivo do Rio Grande do Sul, no Brasil. Foi construído com arquitetura estilo Luís XVI, por ordem do presidente do estdo Júlio Prates de Castilhos, para celebrar a república e expressar a força política gaúcha.
O Palácio Piratini é a sede do peder executivo do Rio Grande do Sul, no Brasil. Foi construído com arquitetura estilo Luís XVI, por ordem do presidente do estdo Júlio Prates de Castilhos, para celebrar a república e expressar a força política gaúcha.

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…
(E nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…
Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No venda da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso…

Mário Quintana

Meu coração é branco, preto e vermelho. Com nuances de romance, pitadas de sensibilidade e uma casca grossa, cinza, de razão e trabalho, moldada na voracidade da capital paulista.

Meu coração é branco, preto e vermelho. E, em passos tímidos, numa visita a Porto Alegre, ao sul do país, ele trincou. Abriu uma brecha e se deixou tomar pelo azul do céu, o dourado do Sol, o verde das árvores, e pela música dos pássaros que vem e vão pela cidade gaúcha.

porto de Porto Alegre

O porto de Porto Alegre é o maior porto fluvial do País, em extensão.
Mantém oito quilômetros de cais acostável, dividido ente os cais Mauá, Navegantes e Marcílio Dias.
Sua estrutura envolve 25 armazéns com 70 mil m2, numa área total de 450 mil m2.

O dourado deu brilho ao preto, que se restringiu aos contornos, o azul casou com o branco, que desenhou as nuvens, e o verde, ah… o verde! Este formou um enorme corredor de árvores por Petrópolis, entre a Redenção e o Jardim Botânico, fez seu caminho e trouxe o marrom e laranja do sabiá, o cinza e a graça do quero-quero, o charme e o vermelho do pica-pau.

E o frio. Doce frio, que virou sopro no Moinhos de Vento e fez voar o plátano, que viu do alto a Praia de Belas, o Centro, e pousou ao meu lado, no Gasômetro, no eterno palco de estrelas, onde Elis canta para o pôr-do-sol do Guaíba. Vermelho, branco, laranja, preto e intenso, me iluminando sentado no gramado da velha usina, com a cuia na mão e o verde da erva mate, com água quente, descendo pela garganta, clorofilando a vida e quebrando aquela couraça que envolvia o vermelho do meu coração, deixando-o parecido com aquele tom que pinta o Beira-rios nos dias de jogo, vivo.

Porto Alegre é uma aquarela que escreve “vida”com as cores, sem precisar de pintor. Tem paz, cultura e paixão se encontrando pelas ruas e travessa, seja na paz da Zona Sul, banhada pelo rio, ou na tradição dos antigos prédios, preservados, ofegantes testemunhando a ansiedade da juventude e transpirando histórias que regam raízes, apaixonantes, de um povo que se orgulha de dizer: eu sou gaúcho.

Esta matéria é uma inspiração, uma homenagem a uma cidade que mexe com quem se propõe a enxergar o que ela tem a oferecer. A pauta inicial era Gramado e Canela, as serras, que são lindas e todo mundo fala. Mas, não deu para passar desapercebido por Porto Alegre, que derrubou todas as páginas. Fui para a cidade, votei inúmeras vezes e acabei conhecendo muitas pessoas. Falei demais da Vila Mariana e ouvi muito sobre Porto Alegre. Esta troca fez brotar um material muito interessante e único. O texto de Ana Luiza Etchalus, advogada, escritora e autora do livro “Alma Basca”, que será lançado, em 2009, pela Villa Editores, uma estudiosa do povo basco, que se animou com a nossa Vila Mariana e fez um link maravilhoso entre a Porto de lá e a Vila de cá. E as fotos de Omar Júnior, um fotógrafo gaúcho que se dedica ao HDR, uma técnica que vamos explicar rapidamente como é feita e que transforma fotos em pinturas, uma mais bonita que a outra. Curta as páginas e conheça a Redenção, o Gasômetro, o pôr-do-sol do Guaíba e uma infinidade de imagens e cores que fazem qualquer um não querer desgrudar mais de Porto Alegre.

Como nunca se viu antes!

Omar Junior, gaúcho e autor das fotos HDR que ilustram a matéria de Porto Alegre. Entrou no mundo da fotografia digital em 2004 com uma câmera com ajustes básicos, e com ela aprendeu toda a base da prática fotográfica. Já em 2005 teve um novo upgrade de câmera que permitia ajustes mais finos, mas ainda não permitia a troca de lentes. E, finalmente, em 2006 comprou a sua primeira Reflex Digital, uma Pentax *ist D, que o acompanha até hoje.

O Monumento aos Açorianos é uma homenagem ao passado moldado em linhas futuristas. A obra, assinada pelo artista plástico Carlos Thenius, retrata um grupo de seres retilíneos de metal que se projeta em direção aos céus. Um deles, dotado de grandes asas, lembra o mitológico Ícaro.

O Monumento aos Açorianos é uma homenagem ao passado moldado em linhas futuristas. A obra, assinada pelo artista plástico Carlos Thenius, retrata um grupo de seres retilíneos de metal que se projeta em direção aos céus. Um deles, dotado de grandes asas, lembra o mitológico Ícaro.

Fundou, em 2005, o Sul Foto Clube, clube de fotografia que tem o intuito de reunir amantes da fotografia em um só lugar, com passeios e eventos. É o atual Presidente do Clube.

Desde o início da sua evolução fotográfica teve como apoio o Photoshop (software de edição de imagens) programa que usa até hoje para extrair o máximo das suas fotografias. Tendo domínio de várias técnicas de edição (algumas próprias) ele se aperfeiçoou em uma especial, o HDR (Hight Dynamic Range) tendo grade destaque no meio fotográfico, com matérias em revistas e sites da internet.

O seu diferencial é tentar mostrar de uma forma completamente única e diferente lugares comuns e vistos todos os dias e que por muitos passam desapercebidos. Dar valor fotográfico a algo que parece quase um pano de fundo de determinado lugar para o seu destaque total. Mostrar como nunca se viu antes!

A Casa de Cultura Mario Quintana é um prédio histórico brasileiro e um centro cultural da cidade de Porto Alegre, um dos maiores e mais bem aparelhados do Brasil

A Casa de Cultura Mario Quintana é um prédio histórico brasileiro e um centro cultural da cidade de Porto Alegre, um dos maiores e mais bem aparelhados do Brasil

O HDR

Creio que o HDR, na fotografia, tem como função principal equalizar os tons de luz e contraste que não se consegue com uma única foto, através de duas ou mais exposições buscando um resultado mais parecido com o real. Com o HDR, é possível equalizar a luz do ambiente deixando você ver o que está tanto no interior quanto no exterior. Tirando fotos com exposições diferentes do mesmo local e depois “misturando-as” em um software, ele faz o ajuste das tonalidades de luz. Isso é chamado de Mapeamento de Tons (tone mapping).

No processo de mapeamento de tons pode-se fazer um HDR fiel a cena real ou um com tom mais artístico. Isso vai do gosto de cada pessoa. Para deixar mais artístico, deve-se regular o software para deixar as opções nos níveis mais, fortes. O resultado fica mais perto do surrealista, isso pode ser bom ou ruim e vai depender do uso que você quer para a foto.

Omar Júnior

Vila Mariana é aqui?

Prometi ao Editor desta revista que escreveria um artigo para a matéria de nossa cidade, alguma coisa que estivesse ligada de alguma forma a Porto Alegre, já que a cidade vem sendo objeto de desejo do mencionado editor. Ainda assim, algo que também estivesse conectado aos interesses dos habituais leitores da Vila Mariana. De verdade, antes de tudo, tenho que confessar que me lancei voluntariamente à tarefa, assim como que não dá chance para negativa de espécie alguma, o que obrigou o pobre sujeito a consentir meio a golpe de facão – situações muito recorrentes aqui pela bandas do Sul.

É claro que além do meu entusiasmo habitual com questões relacionadas à escrita, alguns vínculos recentes de parentesco abriram as portas ao meu ingresso formal no mundo literário paulistano.

Mesmo assim, como eu poderia escrever algo sobre a Vila Mariana sem conhecê-la? Então pensei que o que chegou recentemente às minhas mãos sobre Vila Mariana, o bairro, foi justamente Villa Marianna, a revista. E fique encantada com a sua simplicidade, com a doçura de suas páginas e a delicadeza do trato dados a seus leitores.

E este encantamento atribui ao fato de descobrir, através destas mesmas páginas, uma agradável cidade interiorana inserida de maneira muito discreta e sofisticada no coração da metrópole.

A Ponte de Pedra antigamente cruzava o arooio Dilúvio e era a única ligação entre as chácaras do sul e o centro da cidade. Substituiu uma primitiva ponte de madeira erguida quase no mesmo local por volta de 1825.

A Ponte de Pedra antigamente cruzava o arooio Dilúvio e era a única ligação entre as chácaras do sul e o centro da cidade. Substituiu uma primitiva ponte de madeira erguida quase no mesmo local por volta de 1825.

Descobri nesta publicação, que os paulistas podem ser muito mais simples do que nós aqui da província costumamos imaginar. Descobri a deliciosa sensação de redescobrir estas coisas simples e relevantes como o valor das amizades de bairro, da palavra empenhada, dos vizinhos, da padaria da esquina, do salão de beleza, da oficina mecânica, da pizzaria, do médico do bairro, mesmo que todos estejam glamurosamente encobertos por identidades tais como “bagueteira”, “boulangerie”, “pet shop”, “coiffeur”, “health care”, etc, etc. Afinal, não podemos desprezar o esmero dos homens de marketing e suas soluções.

Mas o meu encantamento se deveu ao fato de descobrir semelhanças entre a Vila Mariana retratada pela revista e muitos dos bairros da minha cidade, ou pequenas cidades do interior gaudério, ou ainda, de outros interiores brasileiros, com a diferença de não ter de esperar horas em um engarrafamento para alcançá-los.

E se o editor recentemente apaixonado por minha cidade permitir minha ousadia, posso afirmar estar quase certa de que Vila Mariana pode ser aqui.

Ana Luiza Panyagua Etchalus
de Porto Alegre – RS

Dicas

Palco Espanhol

Poucas pessoas conhecem esta preciosidade que fica em uma casa muito discreta de Porto Alegre. O Tablado é uma escolha de dança flamenca que, em alguns dias da semana, se transforma num restaurante para lá de especial, com direito a um show flamenco, melhor que muitas das apresentações feitas na própria Espanha. Vale conferir.

Fone (51) 3311.0336 – 3024.5229
site www.tabladoandaluz.com.br

Chuva de Rosas

Você senta em uma mesa bem simpática, toda decorada e protegida por árvores centenárias e, de repente, uma chuva de pétalas de rosa te recebe no que pode ser considerado o melhor café de Porto Alegre, o Domitila. O destaque fica para o proprietário, o Claiton, que assina as receitas do lugar. Destaque para as tortas doces e os sanduíches. Ou melhor, não deixe de provar um pouco de cada item do cardápio, vale muito a pena.

Fone (51) 3346.1592

Texto: Fabiano Godoy
Imagens: Omar Junior