Mães mais que Especiais

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Coloque a vontade de ser mãe acima de qualquer medo, preconceito ou deficiência e conheça a história de Gabriela, Laurinda, Fábio e da pequena Valentina, um exemplo de amor de mães para filhas

Maria Gabriela e Fábio são casados e têm uma filha, Valentina, linda, saudável e sorridente. Seria um caso banal, se Maria Gabriela Andrade de Mate, 28 anos, não fosse portadora da síndrome de Down (veja no quadro) e o marido, Fábio Marchete de Moraes, de 29 anos, não tivesse um problema de atraso mental causado por falta de oxigenação na hora do parto.

Gabriela e Fábio moram em Socorro, no interior de São Paulo. Eles se conheceram há alguns anos, quando estudavam juntos na Apae. Na época, Gabriela já tinha um namorado, Eric, mas ela se apaixonou por Fábio e não mediu esforços para conquistá-lo. Os dois pretendentes ao coração da menina chegaram a se engalfinhar em uma briga por causa dela. Mas o ciúmes de Eric não adiantou, pois Gabriela já havia escolhido seu futuro marido.

Os dois descobriram a gravidez quando a barriga já estava de quase cinco meses. “Estávamos juntos, encostei na barriga dela e mexeu, daí percebi que tinha um bebê lá”, conta Fábio, que conseguiu incluir seu nome na certidão de nascimento só meses depois, pois a menina não havia sido registrada como sua filha. Valentina Andrade Mate Marchete de Moraes, 1 ano, nasceu perfeitamente normal.

A mãe de Gabriela, Laurinda Ferreira de Andrade, de 52 anos, conta que a menina teve uma adolescência como a de outra qualquer. “Ela sempre se interessou pelo sexo oposto e achei que era um direito dela namorar e até casar, por isso incentivei. Mas achávamos que ela não poderia ter filhos, então a Valentina foi uma surpresa para todos”, conta.

Laurinda foi uma mulher corajosa. Quando Maria Gabriela nasceu, os médicos não contaram a ela que a filha tinha a síndrome de Down. “Fiquei sabendo só depois, e por um médico que me disse que ela não sobreviveria, pois tinha problema do coração. Fiquei desolada, achando que ela ira morrer”, conta.

Com o passar do tempo, e com a boa saúde da filha, Laurinda resolveu que era a hora de incentivar a independência de Gabriela. “Tenho dois outros filhos, e os outros eu ajudava a fazer as coisas, já a Gabriela eu exigia que ela aprendesse, para estimular suas habilidades”, relata.

Quando chegou na Apae, Gabriela foi toda enfeitada e bem vestida, uma surpresa para os outros pais, que costumavam vestir os filhos de qualquer jeito e escondê-los da sociedade. “Ela acabou sendo exemplo para os outros”, conta com orgulho.
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A menina cresceu, virou adolescente e arrumou namorado. Em pouco tempo, os dois não se desgrudavam e já estavam morando na casa da sogra. Descoberta a gravidez, os poucos meses que restavam de barriga correram de forma tranquila, assim como o parto, apesar da correria em que todos se envolveram. “Arrumei uma equipe médica especial, em Campinas, para acompanhar o nascimento. Tinha que levá-la para lá no dia. Só que, para nos ajudar, o parto veio de surpresa, quase um mês antes”, conta Laurinda.

No dia do nascimento da pequena Valentina, Gabriela acordou e achou que havia urinado na cama, quando, na verdade, a bolsa tinha estourado. Sem alarde, almoçou com a família. “Comi dois pratos de comida mineira”, conta. Quando levantou da mesa, percebeu que estava em trabalho de parto.

Foi um sufoco. Laurinda saiu da cidade escoltada por policiais que abriam caminho na estrada para que ela chegasse o quanto antes em Campinas. “Gabriela tentava me acalmar, dizia que estava tudo bem, mas eu estava desesperada”. Na maternidade, os médicos tiveram que esperar a digestão daquela comida toda para então prosseguir o parto, uma cesária.

“Valentina nasceu saudável, e Gabriela agiu como qualquer outra mãe, carregou a filha, beijou e dormiu. Quando acordou, pediu para ver Valentina novamente, virou para mim e falou: mãe, não doeu nada”, conta a vovó Laurinda, com um sorriso no rosto.

Síndrome de Down

O que é

Alteração genética que causa deficiência mental e cujos portadores apresentam alguns problemas clínicos associados (abaixo)

Como lidar com o problema

Na década de 80, uma pessoa com síndrome de Down não vivia mais do que 30 anos, mas atualmente, eles vivem até os 70. Eles têm capacidade de aprender, trabalhar e se relacionar normalmente, mas por isso, precisam de cuidados especiais e de estimulação intelectual. O melhor caminho é trabalhar ao máximo todas as habilidades desde criança e procurar centros especializados.

Riscos de ter um filho com a síndrome

Até os 27 anos – 1/1.000
Dos 30 aos 35 anos – 1/365
Entre 39-40 anos – 1/100
Depois dos 40 anos torna-se ainda maior

Como diminuir os riscos

Além de ter filhos mais cedo, o casal pode tomar comprimidos de ácido fólico antes e alguns meses depois da gravidez, em dose prescrita por médicos, o que pode diminuir em até 40% o risco.

Problemas de saúde que os portadores podem ter

Coração – 45% a 50%
Hipotonia – força muscular reduzida com frouxidão nos ligamentos – 100%
Auditivos – 40% a 50%
Visão – 50% a 80%
Distúrbios da tireóide – 16% a 22%
Deficiência e comprometimento intelectual – 100%
Obesidade, que acontece por erro ambientar no ambiente social e familiar – de 20% a 30%
Envelhecimento precoce – 100%
Ortopédicos – 20% a 30%
Intolerância a glúten – 10%
Problemas biliares cálculos na vesícula biliar – de 7% a 9%
Leucemia – 2% a 2,5%