Taís Rochel

Taís Rochel

A esgrima é um esporte onde se encontram referências desde 1.170 AC em um templo japonês que tinham imagens de homens com armas pontiagudas e com bicos de proteção, mas os estudos sobre esta arte só começam em meados de século XVI na Itália com o aparecimento de tratados falando sobre posição de guarda, a esquiva, golpes de ataque e defensivos. Por volta do século XVII, o domínio na arte das espadas passa da Itália para a França onde surgem as primeiras escolas de esgrima gerando uma rivalidade esgrimística que persiste até os dias atuais.

Em meados do século XVIII acontece uma grande mudança no mundo da esgrima com o surgimento da primeira máscara de proteção criada por La Bosiére. Com a extinção dos duelos no século XIX, a ferida, antes determinante para apontar o vencedor, foi substituída por um árbitro que avaliava os “toques” dos combates determinando o vencedor. Já no século XIX em 1896, a modalidade foi introduzida nos Jogos Olímpicos de Atenas e, em 1913 surgem as primeiras regras internacionais de esgrima tendo como objetivos do esporte a educação física e mental de seus praticantes.

Nos Jogos Olímpicos, a modalidade que passou a ser disputada pelas mulheres a partir dos jogos de Paris em 1924 é dividida em: Florete, Sabre e Espada.

É justamente no Florete, onde a espada é mais leve que as demais e, com uma área para obtenção dos pontos na parte da frente e das costas do tronco e a região ventral que temos a atleta Taís Rochel, tetracampeã sulamericana (2001, 2012, 2013 e 2015) e decacampeã brasileira (2002, 2005, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2014 e 2015) que tivemos o prazer de fazer esta entrevista exclusiva, com o apoio do Método De Rose Vila Mariana, antes dos Olímpicos do Brasil onde ela estará nos representando.

Taís Roche

Taís Roche

Qual o sentimento de representar o país nesta olimpíada em casa?

Agora que está chegando mais perto, estou vendo o quanto é ainda mais grandioso do que imaginava!!! Eu serei uma dos 400 e poucos atletas (não sei exatamente a quantidade) a representar um pais com mais de 200 milhões de habitantes!!! É maravilhoso e ao mesmo tempo uma baita responsabilidade. Mas treinei bem para esse momento. Então estou bem confiante.

A olimpíada por ser no seu país, teve uma responsabilidade ou um peso maior na hora da classificação?

Teve uma vontade maior! Fiquei muito perto de me classificar nas outras olimpíadas. E apesar dessa classificação ter sido bem estressante, estava muito determinada! E o fato de ser no Brasil me deu um gás ainda maior. No fundo eu sabia que a vaga era minha!

Como está sendo sua preparação para os jogos? (Técnica, tática, física e mental).

Tenho me preparado na Itália na palestra Frascati Scherma, lá treinam as melhores do mundo? Inclusive a Arianna Errigo que hoje é primeira do ranking mundial.  E tenho um suporte físico do meu preparador Marcio Bernardino, psicológico da minha psicóloga Carla Ide e nutricional da Marina Bonilha. E a dois anos tenho tido o apoio do meu instrutor Danilo (precisa ver o sobrenome, é muito difícil rs) do Método De Rose que também está me ajudando nessa parte emocional e tem me ajudado bastante.

Em nossa entrevista anterior, você comentou sobre a importância do Método De Rose na sua preparação emocional, como está este lado considerando competir em casa? 

Como havia falado, a parte emocional é muito importante pois uma Olimpíada tem diversos fatores que podem tirar você do foco. Desde muita gente te abordando, a Vila Olímpica com diversos atletas famosos até a competição que é o grande objetivo. Tenho trabalhado bem esse lado, e o Método De Rose e minha psicóloga estão focando bastante nesse lado. Estou preparada!

Por que a escolha de treinar fora do Brasil?

Como havia falado, apesar do Brasil ter crescido muito de uns anos para cá, os países europeus estão os melhores atletas, na minha modalidade, especificamente a Itália eu considero um dos principais polos da esgrima internacional. Tenho certeza que foi a melhor escolha que fiz.

A Olimpíada sendo no Brasil, trouxe algum benefício ou melhora para a esgrima?

Muito! Desde que o Brasil foi escolhido como sede, diversos investimentos surgiram e patrocinadores. A esgrima mudou incrivelmente e como a mais experiente da equipe pude ver exatamente essa transição de uma esgrima brasileira sem nada e uma esgrima brasileira com investimento e com melhor nível. Fico muito feliz e espero que continue assim mesmo depois das olimpíadas.

Taís Roche

Taís Roche

Saindo um pouco dos jogos e vindo para o nosso bairro, qual é sua relação com a Vila Mariana?

Moro na região a mais de 10 anos e já tenho todos meus hábitos ligados aqui. Estudei na Belas Artes, o Método De Rose que frequento é ao lado de casa, minha amiga/irmã mora nessa região também, meu café preferido é daqui. Quando volto para o Brasil é sempre bom porque volto para cá.

“Verás que um filho teu não foge à luta” Esta é uma frase que você carrega tatuada no corpo, o que ela significa para você?

Foi um momento muito importante que fiz essa tatuagem e está totalmente ligada à minha mãe que faleceu a 15 anos e meu caso de doping (por conta de uma medicação de asma). Hoje ela faz ainda mais sentido, porque não, eu não fugi da luta em nenhum momento. E hoje estou realizando o meu maior objetivo e sonho!

Qual a próxima batalha desta guerreira que não foge à luta após os Jogos Olímpicos do Brasil?

Conseguir fazer outro ciclo olímpico. Cheguei a conclusão que sou viciada nesse esporte (risos).