Atletas e adaptações cardiovasculares

Atletas e adaptações cardiovasculares
Atletas e adaptações cardiovasculares

Morte súbita (MS) é a principal causa de mortalidade em atletas jovens durante o exercício e resulta principalmente de doenças cardiovasculares estruturais ou elétricas não diagnosticadas. O risco pode ser aumentado até 2,8 vezes em atletas competitivos em comparação com não atletas. Embora de ocorrência rara, a MS é trágica. As atividades esportivas não são causa do aumento da mortalidade por si só, entretanto, pode atuar como um gatilho de parada cardíaca em atletas com anormalidades cardíacas estruturais ou elétricas, gerando assim arritmias malignas.

A comunidade científica enfrenta o desafio de fornecer uma estratégia razoável para a prevenção da MS, ao mesmo tempo em que reitera que os benefícios do exercício regular superam os riscos potenciais. A MS de vários atletas levou muitas organizações esportivas a implementar avaliações de pré-participação para ajudar a identificar atletas em risco. No entanto, atualmente não existe um protocolo de triagem universalmente aceito e existe um debate substancial sobre o que constitui a abordagem ideal.

Considerados como fenômenos esportivos, os atletas de alto desempenho podem ser considerados como resultado de uma melhor exploração do potencial genético através de estímulos externos, como treinamento físico e dieta, juntamente com a preparação mental adequada. O objetivo principal do exame de pré-participação é detectar os distúrbios cardiovasculares conhecidos por causar parada cardíaca súbita no atleta. Alguns estudos demonstraram que a história tradicional e os exames físicos têm sensibilidade limitada, não detectando a maioria dos atletas com condições de risco e podem fornecer refúgio falso para atletas com distúrbios que permanecem não detectados.

Na verdade, em alguns países europeus, os atletas de alto desempenho são legalmente obrigados a submeter-se a uma avaliação cardiovascular que inclui um eletrocardiograma (ECG) anual e ecocardiograma, pelo menos uma vez na carreira. Na Europa, os programas de triagem baseados em ECG foram associados a um declínio nas taxas de mortalidade em atletas jovens. O objetivo do rastreio cardiovascular é maximizar a segurança do atleta. Isso inclui a detecção de doença cardíaca mostraram que mudanças na massa ventricular esquerda e tamanho da cavidade ventricular com treinamento físico e condicionamento ocorrem simultaneamente com alterações de VO2max, sugerindo fortemente que a hipertrofia ventricular está associada a melhor função cardíaca.

O risco pode ser aumentado até 2,8 vezes em atletas competitivos em comparação com não atletas

A descrição clássica das características do coração do atleta apresenta as características da remodelação do ventrículo esquerdo, com aumento da espessura da parede e aumento do tamanho da cavidade com preservação e mesmo melhoria das funções contrátil e de relaxamento ventricular. Embora a maioria das mudanças induzidas no coração pela prática esportiva seja bem descrita, aqueles que são vistos em atividades intensas e prolongadas ainda precisam de uma pesquisa melhor.

Os esportes regulares e intensivos podem mudar o comportamento anatômico e fisiológico do coração, resultando em adaptações. É razoável que essas adaptações em atletas de resistência como conseqüência de anos de treinamento, de alguma forma, possam refletir sua capacidade de alcançar níveis mais elevados de conquista em competição.

A sistematização da pesquisa clínica, por métodos não-invasivos, como eletrocardiograma e ecocardiograma, deve ser parte do rastreio de rotina nesta população, a fi m de distinguir indivíduos com risco aumentado. A magnitude com que esses marcadores de remodelação fisiológica são regidos por vários fatores e alguns atletas mostram mudanças elétricas e estruturais que se sobrepõem com as observadas em algumas cardiomiopatias, que são causas reconhecidas de morte cardíaca súbita em atletas jovens.

Dr. Henrique Tria Bianco

Dr. Henrique Tria Bianco,
MD, PhD
Médico Cardiologista Doutorado em Ciências da Saúde,
pela Universidade Federal de São Paulo