Álcool na gestação

Álcool na gestação - por Karlidy Morais Azevedo
Álcool na gestação - por Karlidy Morais Azevedo - Imagem Shutterstock

Existe problema em tomar uma taça de vinho ou um copo de cerveja durante a gravidez?

Por Karlidy Morais Azevedo

Olá papais e mamães (e futuros)! Esta é uma dúvida frequente entre as gestantes, e ninguém sabe ao certo qual é a quantidade de álcool que pode afetar o bebê. Nos EUA, estima-se que de cada 750 bebês, 1 nasce com Síndrome Alcoólico Fetal (SAF).

As pesquisas já concluíram que o álcool atinge o feto através da placenta e neste, é metabolizado bem mais lentamente, quando comparado ao metabolismo materno, ou seja, após a gestante ingerir álcool, este permanece por mais tempo na corrente sanguínea do feto, quando comparado ao seu. O primeiro trimestre é onde residem os maiores perigos, pois o desenvolvimento cerebral é bastante acelerado nessa fase.

A SAF vem sendo descrita desde os anos 70 e é caracterizada pela presença de defeitos congênitos, secundários ao consumo de álcool durante a gestação. Não existem marcadores que correlacionem o exato efeito do álcool sobre o feto, e nem um consenso sobre a relação da quantidade ingerida, com a gravidade do quadro apresentado. Os graus de comprometimento fetal são: SAF: caracterizada por retardo do crescimento e alterações de traços faciais como lábio superior bem fino, nariz e maxilar de tamanho reduzido, microcefalia, e outros, que se tornam menos evidentes com o passar do tempo.

Alterações globais do desenvolvimento intelectual, déficits de aprendizado (aquela criança que é normal, mas não vai bem na escola), memória, atenção, além de dificuldade para a resolução de problemas e socialização; problemas de coordenação e motricidade fina, falta de imaginação e curiosidade. Distúrbios no desenvolvimento neurológico: caracterizada pelos mesmos distúrbios observados na SAF, porém, não há retardo no processo de crescimento e nem alterações faciais. Defeitos congênitos: estes abrangem as alterações da constituíção esquelética e de outros órgãos (rins, pulmões, coração).

Com relação aos transtornos mentais associados à SAF, o retardo mental é o mais frequente e pode aparecer em níveis de gravidade distintos. Crianças que nascem bem podem vir a ter, anos depois, problemas ligados ao consumo de álcool materno. A SAF é uma patologia totalmente passível de prevenção e as consequências geram problemas muito abrangentes para o futuro da criança e a repercussão é para a vida toda.

A verdade é que desde o momento em que se pensa em ter um filho, a mulher precisa preparar seu corpo, a fim de ter melhores chances de gerar uma criança saudável. Desconhecendo qual é o consumo seguro de álcool na gestação, podemos afirmar que, somente não existirá o risco de comprometimento fetal, se a mãe não ingerir nenhuma quantidade de álcool na gestação!!!

Até a próxima!!!

Karlidy Morais Azevedo
é médica pediatra intensivista (CRM: 96433).
Rua Prefeito Fábio Prado, 508.
Tel.: 97685-7583

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