A História da Digestão

Quando nos alimentamos, os alimentos seguem pelo sistema digestivo até o intestino, que por sua vez se movimenta empurrando o bolo alimentar para extrair seus nutrientes e depois eliminá-lo.

Como os órgãos trabalham a comida?

Tudo começa com a visão, os olhos ao visualizarem o alimento mandam sinais através dos nervos óticos ao cérebro e dali ao córtex cerebral, que analisa esta informação. A partir disto, revê lembranças do que já se ingeriu alguma vez na vida e estuda a imagem do alimento, seu aspecto e características.

Os nervos olfatórios da mesma maneira perceberão o cheiro deste alimento e qual lembrança ele traz. O nariz é um bom provador de alimentos e tem bastante experiência, a qual foi adquirida ao longo da vida. Se tudo for aprovado, essa informação de “Saboroso, aspecto bom e cheiro agradável”, é enviada às glândulas salivares que imediatamente começam a produzir saliva, e é quando dizemos: “Isto dá água na boca”.

O estômago, percebendo esta salivação despeja o ácido clorídrico ou ácido gástrico no estômago, preparando o organismo para receber o alimento que logo será ingerido. Entretanto, se durante este processo os olhos visualizarem o alimento e o nariz não gostar do cheiro, rapidamente os sinais serão enviados aos músculos dos braços e da boca, os braços para afastarem aquele alimento e a boca para se fechar. “Será que
está estragado?”, se o contrário, são avisados (para felicidade do organismo) a continuarem trabalhando para pegar o alimento e levá-lo a boca. Que equipe fantástica, bem treinada e coordenada com maestria.

Chegando a boca existem dois motores que trabalham em conjunto para iniciar a mastigação e dar início a digestão. O
primeiro é o maxilar que possui um dos músculos mais fortes do nosso corpo e com força máxima tritura os alimentos,
depois, a língua, que é um músculo muito flexível. A língua consegue fazer quase todos os tipos de movimentos, com a finalidade de misturar os alimentos que estão na boca e depois jogá-los para que possam ser triturados. Não esqueçamos dos dentes que como em uma frente de batalha, comprimem-se uns aos outros utilizando a força do maxilar para triturar os alimentos e auxiliados pela língua os colocam entre eles.

Quando o alimento se torna bem pequeno, isto é, quando já foi dividido em diversas partículas, a língua o empurra contra o céu da boca sob o comando e coordenação do maestro cérebro e inicia-se a deglutição. A boca se fecha, para-se de respirar, o palato fecha a entrada das narinas (por dentro), a epiglote eleva-se, e com a ajuda da saliva como uma massa o alimento é empurrado para o esôfago percebendo que a turma de cima acaba de mandar a massa por ele, começa a movimentar-se em ondas de cima para baixo, da boca para o estômago, tendo a colaboração da gravidade (se estivermos sentados ou em pé), mas se estivermos de cabeça para baixo a onda será mais forte que a
gravidade e o alimento seguirá seu fluxo normal (boca para o estômago). Estas ondas sequenciais e contínuas além de levar o alimento ao estômago, também impedem o retorno do alimento a boca.

No finalzinho do esôfago há uma porta fechada (esfíncter inferior do esôfago) que se abre por segundos e logo se fecha deixando que aos poucos o alimento vá entrando no estômago.

Chegamos ao estômago, até aqui foi exigida coordenação, trabalho em equipe, comprometimento, acreditar no outro,
acreditar em si mesmo, muito treinamento (Treinamos engolir desde o ventre materno, deglutindo o líquido amniótico,
sem riscos para o pulmão que ainda não está funcionando).

Na vida adulta engolimos cerca de seiscentos a dois mil vezes por dia e normalmente sem problema algum, porém, as
vezes engasgamos, principalmente quando ficamos mais velhos, isso se deve ao fato que nossos músculos da deglutição
podem estar mais fracos e não tão bem coordenados (precisando de bengala?).

Que equipe maravilhosa está trabalhando neste momento em nós. Em nós?! Somos nós!

Para receber o alimento, o estômago inicia um processo de relaxamento para que caiba todo aquele prato delicioso que foi visibilizado, aprovado pelos olhos e seu odor apreciado pelo nariz. O alimento é prensado contra a parede do estômago por várias vezes com força e em movimentos para todos os lados, iniciando-se na parte maior do estômago (grande curvatura do estômago) e começa a avisar, através de 2 sistemas nervosos conhecidos como autônomo (simpático e parassimpático) e plexo dentro da própria parede dos órgãos, para que todo o intestino inicie o movimento para frente do alimento em direção ao intestino grosso.

O estômago vai triturando a massa (formada pelo alimento) que se transforma agora em partículas ainda menores e que
vão se dirigindo à segunda porta, que é a saída do estômago para o duodeno. O porteiro deste local é conhecido como Piloro e é ele quem facilita a passagem de açúcares e carboidratos e retém por mais tempo as proteínas e as gorduras. Por este motivo, quando comemos carnes e gorduras parece que estamos com o estômago cheio por mais tempo, o que nos leva a sentir aquela vontade de comer algo doce, pois o porteiro que reteve o alimento deixará o doce (açúcar) passar mais depressa e será rapidamente absorvido e levado para a corrente sanguínea.

Como as gorduras e proteínas estão ainda em processo de trituração para se tornarem partículas ainda menores, temos
como consequência as células de todo o organismo aguardando o que está preso pelo porteiro dentro do estômago…

O intestino delgado fica para uma segunda parte.

Prof Dr Carlos Mateus Rotta

Prof Dr Carlos Mateus Rotta

Prof. Dr. Carlos Matheus Rotta (Proctologista)
Doutor em Cirurgia do Aparelho Digestivo;
Membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões;
Médico do Hospital Nove de Julho – SP;
Professor da disciplina de Coloproctologia da Faculdade
de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes;
Médico do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Mello – MC;
Membro Fundador da Sociedade Brasileira do Câncer de Intestino;
Membro Fundador da Associação de Coloproctologia do Estado de São Paulo;
Membro Associado da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, Associação
Médica Brasileira e Associação Paulista de Medicina.

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