O sétimo “homem”

O Estado de São Paulo agora conta com 21 grandes aliados nas suas ocorrências, os Spartan, caminhões produzidos nos Estados Unidos, especialmente para o dia a dia dos bombeiros

Grande parte das pessoas, principalmente na infância, têm uma admiração enorme pelos bombeiros. Eles são heróis, enfrentam o fogo, arriscam suas vidas para salvarem outras e estão sempre prontos para atenderem um chamado, seja ele qual for. Bombeiros são aqueles heróis anônimos, preparados para tudo. Bombeiros atravessam nosso imaginário, dentre as chamas, sempre com uma pessoa no colo, alguém que acabou de ser socorrido. E se os bombeiros são dignos da nossa admiração, imagine o carro dos bombeiros!
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Em julho desse ano, 21 quartéis do Estado de São Paulo ganharam um novo membro na corporação, um sétimo soldado nos resgates. Prontos para tudo e muito bem equipados, eles ficam 24 horas no “ar”, à disposição de um chamado para as ocorrências. Sua principal função é facilitar o trabalho dos outros seis companheiros de equipe, ser ágil, resistente, e estar pronto para “pegar” no pesado. Assim são os Spartan, os novos carros dos bombeiros.

Feitos sob medida pela Spartan, nos Estados Unidos, e totalmente customizados para as necessidades dos soldados do fogo paulistas, já começaram a serem colocados à prova nos resgates da capital e interior. E, para nossa felicidade, em dois quarteis da região, Cambuci e Vila Mariana, os carros estão presentes. E o melhor, tivemos a oportunidade de visitá-lo à convite da corporação.

Muito bem recebidos, produzimos parte das fotos no Cambucí e parta na Vila Mariana, o conhecido “castelinho” que fica na Domingos de Morais, bem próximo ao Colégio Arquidiocesano. Aliás, esse quartel merece uma matéria só para ele. O prédio transpira histórias e abriga um museu dos bombeiros, aberto ao público. São fotos de resgastes famosos, equipamentos que contam a história da corporação e uma infinidade de detalhes que abrem um portal para conhecermos melhor o trabalho desses soldados. Muito bacana!

Mas, de volta aos Spartan, chegamos para visitar o “nosso”. À primeira, segunda, terceira, quarta, quinta e muitas vistas depois, ele impressiona. E brilha! Esse caminhão é todo de inox e alumínio, inclusive o chassis, um Metro Star Cab, leve e resistente. O que o torna ágil, ideal para se movimentar rapidamente pela cidade. De frente para ele, a grade e o parachoque, cromados, mostram classe e formalidade, um traje de gala, que impõe respeito e deixam claro que ele não está ali para brincadeiras e muito menos vai tutibiar na hora do trabalho.

E isso fica claro quando começamos a descobrir o Spartan. Toda a parte mecânica e elétrica do caminhão, seja para os comandos ou para a manutenção, é de fácil acesso. A cabine é basculante e basta levantá-la para aparecer o chassi tubular e o enorme motor Cummins 400HP ISL e a transmissão Allison 3000, com potência suficiente para transportar seis tripulantes, equipamentos de resgate e incêndio e o CAFS (Compressed Air Foam System), um sistema que mistura espuma com ar-comprimido e produz 1250 litros por minuto, o que é de extremo valor em localidades com pouca água disponível.

Além de garantir eficácia no trabalho, o Spartan conta com o APS, Sistema de Proteção Avançada, que engloba sensores de impacto, airbags laterais, de joelhos, para o motorista, e cintos de segurança inteligentes. Para ter ideia da praticidade do caminhão, os tripulantes são transportados, cada um em seu posto, já com o equipamento de incêncio, inclusive com cilindro de oxigênio. Para nos explicar um pouco mais sobre o a nova viatura, conversamos com o Major Magalhães, do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo.
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1 – O novo caminhão pode ser considerado um companheiro nas ocorrências? Um sétimo soldado?

Sim, pode ser considerado um sétimo homem de serviço, pois agrega “disposição e vigor físico”, tendo como diferenciais a tecnologia, conforto e segurança pois foi concebido para os bombeiros.

2- Em relação aos outros caminhões do Corpo de Bombeiros, existem cuidados especiais no uso da nova viatura, no dia a dia dentro e fora do quartel?

Quando a viatura se encontra estacionada no quartel, há um sistema que mantém o óleo aquecido, a carga da bateria, o sistema pneumático pressurizado, etc. e isso se consegue simplesmente “ligando” a viatura à uma tomada de força externa. Os ganhos operacionais são imensos com tal sistema, pois a viatura sempre está em condições de sair para o atendimento, está sempre pronta, diferentemente das antigas que necessitam ser aquecidas e pressurizadas, para então se deslocarem para a ocorrência.

3 – Como é o funcionamento do sistema de água e espuma do caminhão?

Por ser dotado de tecnologia nova, o operador da bomba de incêndio, que também é o motorista, deve ter muita atenção a todos os parâmetros e requisitos técnicos para que haja o perfeito funcionamento do equipamento. A viatura possui um sistema de espuma chamado CAFS (Compressed Air Foam System) que gera espuma por meio de ar comprimido, sendo esse o grande diferencial do sistema de combate a incêndios com espuma dessa viatura.
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4 – Cada viatura demanda o envolvimento de quantos homens na hora do uso e na manutenção? Existe um treinamento especial para operar o caminhão?

Sim, é necessário o treinamento prévio para tripular tal viatura. A Operação propriamente dita fica, via de regra, a cargo do bombeiro na função de Motorista/Operador de Bomba. A manutenção de primeiro escalão, que é aquela realizada pelos próprios bombeiros que trabalham com a viatura, é feita, diariamente, no quartel. Em casos de necessidade de um serviço mais técnico na parte de manutenção, é feito o contato com o Centro de Suprimento e Manutenção do Corpo de Bombeiros e então com a empresa responsável no Brasil.

5 – Quais os principais diferenciais do novo caminhão?

Os principais diferenciais são os itens de segurança da viatura (controle de tração, freio, aquecimento do óleo do motor e manutenção do ar comprimido do sistema todo, mesmo quando a viatura esteja estacionada no quartel), os aspectos de confecção de toda a cabine, que ergonomicamente ajuda em muito a saúde dos bombeiros (bancos que permitem que o tripulante se desloque para o incêndio completamente equipado, com capa, calça e cilindro de ar já nas costas), torre de iluminação e gerador, além de, é claro, o CAFS. Resumindo: é uma viatura concebida para o serviço de Bombeiros em todos os seus aspectos, e não, simplesmente, um caminhão adaptado para o serviço. Quem “ganha” com isso é a População, que terá um atendimento melhor, mais rápido, mais técnico e muito mais eficiente.

Imagens: Donizetti Castilho